terça-feira, 29 de dezembro de 2015

O Menestrel - William Shakespeare


Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma.
E você aprende que amar não significa apoiar-se. E que companhia nem sempre significa segurança. Começa a aprender que beijos não são contratos e que presentes não são promessas.
Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
Aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.
E aprende que, não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam… E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobre que se leva anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la…
E que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.
E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida.
E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Aprende que não temos de mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam…
Percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa… por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vejamos. Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser.
Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto.
Aprende que não importa onde já chegou, mas para onde está indo… mas, se você não sabe para onde está indo, qualquer caminho serve.
Aprende que, ou você controla seus atos, ou eles o controlarão… e que ser flexível não significa ser fraco, ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem, pelo menos, dois lados. Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática.
Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se. Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.
Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens…
Poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém…
Algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo.
Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.
Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar.
Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, em vez de esperar que alguém lhe traga flores.
E você aprende que realmente pode suportar… que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida! Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar se não fosse o medo de tentar.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Cuide de você, cuide do seu fígado.



Faça o seu fígado feliz!


O nosso maior órgão interno é também o mais importante. O fígado metaboliza todas as substâncias que entram no organismo para que mantenha a sua saúde, fique livre de doenças e feliz.
Veja estas dicas para ajudar o seu fígado a fazer melhor o seu trabalho:



  • Beba uma ou duas chávenas de chá verde todos os dias. As substâncias contidas no chá verde purificam e tonificam o fígado.
  • Beba um grande copo de água morna com 10 gotas de  limão logo de manhã.  Depura as toxinas do fígado e faz com que o sistema digestivo funcione melhor.

  • Coma fruta fresca em vez de tomar sumos cheios frutose que fazem o fígado gordo. Frutos silvestres e citrinos doces e sumarentos são particularmente benéficos graças aos antioxidantes que contêm.
  • Um pouco de açafrão nas sopas e guisados ajuda a curar as infeções do fígado. O açafrão é reconhecido há muito,  como uma especiaria com efeitos anti inflamatórios.
  • Coma mais vezes vegetais verdes escuros feitos no wok. Não só são deliciosos como também ajudam a desintoxicar o fígado das toxinas ambientais.
  • Inclua alimentos amargos na sua alimentação. Endívias, rúcula, nabiças, grelos, alface, dente de leão e abóbora estimulam a produção de bílis e fazem o fígado trabalhar melhor.
  • Use o alho. Um aminoácido chamado metionina contido no alho ajuda o fígado a trabalhar mais eficazmente e protege-o de doenças. Adicione sementes de sésamo à receita e não só obtém mais metionina como também melhora bastante o sabor.

Autoria:
http://medicina-tradicional-chinesa.com/2013/03/14/7-habitos-alimentares-para-harmonizar-o-figado/

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

O sal certo faz bem à saúde!

SAL: INGERIR OU NÃO INGERIR? VILÃO OU HERÓI?

Com o uso dos termos “sal”, “sódio”, “pressão alta” e “hipertensão” é possível encontrar 17.090 artigos publicados, entre 1966 e 2001, em sites especializados na internet (MEDLINE)1. Isso mostra a complexidade em resumir e oferecer uma versão diferenciada sobre o assunto e seu papel na saúde humana.

Este artigo não representa uma recomendação médica. Favor conversar com seu médico e/ ou nutricionista antes de tomar qualquer decisão de como irá usar o sal em sua alimentação. Aqui temos um paradigma que, a princípio, pode ser chocante. Minha contribuição é a de mostrar o que está disponível na literatura, defendendo outro ponto de vista.

A recomendação para uma dieta baixa em sal (hipossódica) vem sendo uma constante como abordagem coadjuvante no tratamento da hipertensão. Por outro lado, os japoneses – os maiores consumidores de sal do mundo – também são considerados um dos povos mais saudáveis, apesar de estarem em desacordo com as recomendações sobre o uso parcimonioso do sal na dieta2.

Historicamente, esse componente revela sua importância, sendo citado, com destaque, nas escrituras do cristianismo, judaísmo e islamismo. Jesus, por exemplo, referia-se aos seus seguidores como o “sal da terra”, homenageando sua presença na dieta humana. Além disso, existem 32 citações sobre o sal na Bíblia. No Judaísmo, por sua vez, o pão de Shabat (Chalá) é mergulhado no sal como símbolo da preservação do acordo com Deus, enquanto Maomé, no Alcorão, descreve as quatro dádivas enviadas por Deus: o ferro, o fogo, a água e o sal.

Para os hebreus, chineses, gregos e romanos, o sal era valorizado tanto ou até mais do que o ouro. Curiosamente, a palavra salário foi originada do pagamento para os soldados romanos com sal (Solarium Argentums), que há 5.000 anos era uma das mercadorias mais negociadas na China. Antes da existência de refrigeradores, aliás, o sal era o meio de conservação de alimentos mais utilizado.

Todos os aspectos que caracterizam o sal não foram menosprezados pela medicina. Hipócrates (460-370 a.C.) reconhecia o poder curativo da substância. Paracelso (1493-1541 d.C.), certa vez, declarou: “O ser humano necessita de sal. Ele não pode viver sem sal. Onde não houver sal, nada permanecerá, tudo irá se deteriorar”.

Atualmente, é fácil entender o significado da frase de Paracelso. Basta lembrar que uma simples solução fisiológica de sal (soro fisiológico) é capaz de salvar vidas, sendo um tratamento muito útil, especialmente nas situações de emergência.

Assim como oxigênio e água, portanto, não existe vida sem sal. Esses três elementos são a parte mínima necessária para que a energia vital se manifeste. Elefantes, búfalos e hienas são sabiamente famosos por se deslocarem, sem importar a distância, à procura do sal para ingestão. No Quênia, não é difícil encontrar elefantes arriscando suas próprias vidas em busca de depósitos de sal no interior de minas3.

Entre os humanos, sua importância jamais foi desprezada. A Inglaterra financiava sua colonização na Índia cobrando um imposto sobre o sal consumido. Isso fez com que, na década de 1930, Mahatma Gandhi organizasse protestos contra a cobrança de taxas muito altas, o que resultou na libertação do colonialismo no país.

Durante a guerra civil americana, o Norte limitou a disponibilidade de sal para o Sul, contribuindo sobremaneira para que o resultado da guerra fosse favorável ao Norte.

No entanto, se perguntarmos hoje a qualquer pessoa na rua, ou mesmo para a maioria dos médicos, sobre a importância do sal, certamente, o consenso é de que ele é prejudicial à saúde. Por estar associado ao aumento da pressão arterial, o sal é recomendado em baixíssimas doses na dieta (hipossódica) por quase a totalidade dos profissionais de saúde.
É nesse momento que dou início ao questionamento deste artigo – sendo tão importante no passado, é possível agora afirmar que uma dieta com baixo consumo de sal previne e/ou contribui no tratamento da hipertensão e de outras patologias (doenças)?

Os estudos que afirmam que o aumento na ingestão de sal provoca a elevação da pressão arterial foram realizados em animais, utilizando de 10 a 20 vezes a mais que as doses recomendadas e isso foi feito com sal refinado (não integral). Esses resultados foram transportados para a espécie humana.

Em 1979, o governo americano emitiu um relatório em que dizia que a pressão alta era causada pela ingestão excessiva de sal, sendo, portanto, necessário adotar uma dieta de baixo consumo para combatê-la (U.S. DEPT. OF HEALTH, EDUCATION AND WELFARE. HEALTHY PEOPLE: SURGEON GENERAL’S REPORT ON HEALTH PROMOTION AND DISEASE PREVENTION, 1979).

A pesquisa mais significativa nessa área foi a Intersalt Trial, que contou com a participação de 10 mil indivíduos de 52 centros, em 39 países. Somente em quatro desses 52 centros ficou evidente que sal contribuía para a elevação da pressão arterial-  representados por dois no Brasil, formados por índios Yanomami e Xingu – e dois em Papua-Nova Guiné.

Por terem várias características peculiares, esses povos possibilitaram estabelecer uma correlação significativa. Depois de concluída, a pesquisa registrou que uma redução drástica na ingestão de sal resultou em uma diminuição mínima de 3-6mmHg na pressão sistólica e 0,3mmHg na pressão diastólica4.

O sistema de informações Cochrane – que concentra os principais dados médicos do mundo, em uma única plataforma – analisou 57 ensaios clínicos sobre dieta baixa em sal (hipossódica), em um período de 25 anos. Nesse caso, o efeito hipotensivo foi de 1,27mmHg para a pressão sistólica e 0,54mmHg para a pressão diastólica. Isso significa que uma pressão arterial de 180 mmHg (18cm) de sistólica e 95mmHg (95cm) de diastólica, com a dieta baixa em sal, foi para 178,73mmHg (17,9cm) de sistólica e 94,95 mmHg (9,49cm) de diastólica5.

Um resultado não muito expressivo, não é verdade?

O estudo The National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES) é conduzido pelo departamento de agricultura americana a cada década, com o objetivo de avaliar a dieta dos americanos e quais suas consequências para a saúde. Tanto no NHANES I6 quanto no NHANES II7 houve uma redução na mortalidade cardiovascular entre os indivíduos em que a ingestão de sal era superior. O maior risco de morte encontrava-se entre os que ingeriam menos que 2.300 mg/dia7. Até o momento, essas são consideradas as duas maiores pesquisas realizadas sobre os efeitos deletérios de uma dieta hipossódica.

Em um recente estudo europeu – sobre o consumo de sódio e excreção urinária – foi avaliado o efeito do sal na pressão arterial e na mortalidade. Essa análise envolveu 3.681 indivíduos, sendo que 2.096 eram normotensos, ou seja, tinham pressão arterial normal. Os pesquisadores concluíram que o baixo consumo de sódio foi associado com uma maior mortalidade cardiovascular8.

Diabéticos também não são beneficiados pelas dietas hipossódicas. Pelo contrário. Nesses casos, nota-se um aumento de mortes tanto cardiovascular, quanto por todas outras causas9. Além disso, o baixo consumo de sal causa deficiência de magnésio, cálcio, potássio e vitaminas do grupo B10.

Magnésio e potássio, por sinal, são conhecidos pela sua ação anti-hipertensiva. O estudo NHANES, por exemplo, mostrou que a baixa ingestão de magnésio, potássio e cálcio está diretamente associada com níveis de pressão elevados. Por isso, é impossível tratar um paciente hipertenso que se apresenta com hipomagnesemia (deficiência de magnésio) simplesmente administrando magnésio e haverá um efeito hipotensivo 11.

Se o sal é tão necessário ao organismo, por que existe essa recomendação contra seu uso nos alimentos?  Esse é tema que falta discutir: há alguma vantagem terapêutica no uso do sal e principalmente do sal integral (não refinado) na prevenção e tratamento de doenças?

Minha resposta é sim! Existe uma razão para o uso do sal na nossa alimentação e sobretudo uma grande diferença entre o sal refinado (NaCl, sal de mesa) e o sal integral. No primeiro, a composição de sódio (Na) e cloreto (Cl) é maior do que a do sal integral, além de contar com a presença de substâncias químicas (branqueadores) usadas para remover as “impurezas” e deixar somente NaCl. Essas substâncias nocivas são: ferrocianeto de alumínio, citrato de amônia, silicato de alumínio, ácido sulfúrico e dextrose (glicose-açúcar refinado).

A “purificação” – retirada de minerais oligoelementos ou microminerais essenciais para o organismo – faz com a durabilidade do sal na gôndola dos supermercados seja maior. Como é do conhecimento médico, os minerais são alcalinizantes (capazes de controlar a acidez no organismo). Sua deficiência – ou mesmo a presença uma doença crônica – provoca acidose metabólica (acidez no sangue). 

Diferentemente do refinado, o sal integral (não refinado) não passa pelo processo de “purificação”, mantendo sua composição com cerca de 80 minerais e elementos, todos naturais e essenciais para o organismo. Além de conter menos sódio e cloreto, a versão integral conta com muitos oligoelementos, necessários à manutenção da homeostase (equilíbrio fisiológico), que corresponde à capacidade de o organismo apresentar uma situação físico-química característica e constante, mesmo diante de alterações no meio ambiente.

As dietas atuais, infelizmente, têm colaborado para que muitas pessoas fiquem em um estado de deficiência mineral, o que torna muito difícil, quase impossível, se livrar de uma doença crônica caso a acidez metabólica não seja apropriadamente corrigida, incluindo a hipertensão (pressão alta).

Em seu livro Salt - you way to health, o Dr. David Brownstein relata um experimento interessante, feito por sua filha Jessy Brownstein. Ao usar duas meia xícaras de água mineral (com pH 6,4) – colocando em uma delas uma colher de chá de sal refinado e na outra uma colher de chá de sal integral –, ela observou que na primeira meia xícara (sal refinado) o pH diminuiu para 6,0, enquanto que na segunda  meia xícara (sal integral - sal do mar céltico) o pH aumentou para 6,8.
Sabendo-se que o pH é expresso em uma escala logarítmica, o que houve, na realidade, foi um aumento de oito vezes no potencial hidrogeniônico (pH 6,0  vs. pH 6,8) entre a diluição do sal refinado e do sal integral. Isso, portanto, comprova que o sal integral pode ser um nutriente importante na prevenção e tratamento da acidose metabólica.

O sal refinado (38% de sódio e 60% de cloreto) ou integral (33% de sódio e 50% de cloreto) tem uma função fisiológica fundamental no funcionamento apropriado do organismo. Uma dieta baixa em sal (hipossódica) acarreta uma série de efeitos metabólicos indesejáveis, como a maior liberação de renina, angiotensina, aldostesterona, noradrenalina e insulina, substâncias essas que podem trazer consequências deletérias 12-13. Segundo o Dr. Brownstein: “o sal integral é capaz de otimizar os sistemas imune e endócrino. É impossível ter um sistema imune funcional na presença de deficiência de sal”.

A elevação de colesterol e LDL-colesterol tem sido associada a eventos cardiovasculares adversos, incluindo o acidente vascular cerebral (derrame) e o infarto do miocárdio. Uma dieta baixa em sal, segundo pesquisa, pode causar um aumento significativo (>10%) no colesterol e no LDL colesterol14. Por outro lado, a baixa ingestão de sal aumenta a resistência insulínica e, consequentemente, um aumento nos níveis de insulina e portanto um aumento na predisposição ao diabetes12.

Quando está em baixa no organismo, a deficiência do sal é capaz de aumentar em 400% o risco de infarto do miocárdio, de acordo com dados da pesquisa MRFIT, feita com 361.662 homens15. Em outro estudo, 2.937 indivíduos hipertensos foram avaliados conforme sua ingestão de sal. Os com baixa ingestão  de sal apresentaram um aumento de 430% no risco de infarto do miocárdio, em comparação aos que consumiam sal sem nenhuma restrição6.

A habilidade dos rins em eliminar o sódio está relacionada com o sistema renina-angiotensina-aldosterona, que regula a excreção e a absorção de sódio nos rins, suor e trato digestório. A insulina, por sua vez, é o hormônio que envia o comando para os rins, com a finalidade de reabsorver sódio16.
Portanto, quando as pessoas são submetidas a uma dieta baixa em carboidratos, elas eliminam mais fluidos do que o normal. O aumento de carboidratos na dieta eleva os níveis de insulina e eleva a retenção de sódio. Uma dieta baixa em sal gera um aumento de insulina e da resistência insulínica com retenção de sódio e fluidos17. Esse talvez seja o motivo da dieta hipossódica estar associada a um aumento de mortalidade em pacientes diabéticos9.

O sal, curiosamente, é um agente importante na destoxificação do corpo, especialmente nos casos de toxicidade relacionada ao bromo, que pode causar desde delírios até quadro clínico de esquizofrenia18. O bromo é um elemento indesejável para a fisiologia humana.

O bromo e o cloreto competem pela excreção renal. Portanto, quando ocorre uma diminuição de cloreto no organismo, como no caso de uma dieta hipossódica, haverá concomitantemente uma maior absorção de bromo nos rins e, com isso, um aumento da vida média do bromo no sangue.

Estudos feitos em ratos têm demonstrado que uma dieta hipossódica pode aumentar a vida média do bromo no sangue em até 733% (de três para 25 dias)19. Isso, certamente, interferirá na funcionalidade tireoidiana, levando a um quadro clínico de hipotireoidismo.

Diante de todas essas informações, as conclusões pragmáticas dessa avaliação correspondem a:

• Os sais não são iguais. O sal integral tem um poder alcalinizante oito vezes superior ao sal de mesa e aproximadamente 80 minerais importantes para a fisiologia humana;
• A redução do sal na dieta afeta quase nada os níveis pressóricos e não constitui uma abordagem terapêutica muito útil no tratamento da pressão alta;
• Dieta baixa em sal leva a um aumento indesejável da resistência insulínica e a um aumento significativo de colesterol e LDL-colesterol;
• Reduzir a ingestão de sal na dieta não é a solução e tudo indica que pode causar problemas adicionais de saúde;
• O sal é um agente destoxificante que contribui para o bom funcionamento corporal e manutenção da homeostase;
• Assim como o oxigênio e a água, o sal é essencial à vida. Devemos ter cuidado para não criar um quadro de hiponatremia (deficiência de sódio), utilizando uma dieta muito baixa em sal.

A decisão de como proceder daqui por diante está em suas mãos. Lembre-se sempre de consultar seu médico e/ ou nutricionista antes de mudar seus hábitos alimentares. Recomendo que leve um impresso deste artigo.

Um pensamento para reflexão:

Lembre-se de que uma uva uma vez madura, não volta a ser verde!

Dr. Lair Ribeiro
Cardiologista/Nutrólogo

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. MESSERLI, FH; SCHMIEDER, RE. Salt and Hypertension-Going to the heart of the matter. Arch Intern Med. 2001; 161(4): 505-506. Doi: 10.1001/Archinte. 161.4.505.

2. HEANEY, RP. RP. Role of Dietary Sodium in Osteoporosis. J.Am. Coll. Nutr.2006: 25, 271S-276S.

3. BOWELL, RJ et al. Formation of cave salts and utilization by elephants in the Mount Elgon region, Kenya. Geol. Soc., London, Spec. Publ, 1996. 113, 63-79.

4. SAMLER, P. Intersalt Trial. BMJ, 1996. May 18:312 (704):1249-53.
5. HE, FJ; MACGREGOR, GA. Effect of longer-term modest salt reduction on blood pressure. Cochrane database Syst. Rev. CD004937 (2004). doi: 10.1002/146511
858. CD4937.

6. ALDERMAN, MH et al. Dietary sodium intake and mortality: the National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES I). Lancet, 1998. 351, 781-785.

7. COHEN, HW et al. Sodium intake and mortality in the NHANES II follow-up study. Am. J. Med.2006. 119, 275-e7-14.

8. STOLARZ-SKRZYPEK, KKTTL et al. Fatal and nonfatal outcomes, incidence of hypertension, and blood pressure changes in relation to urinary sodium excretion. JAMA J. Am. Med. 2011. Assoc. 305, 1777-1785.

9. EKINCI, EI et al. Dietary salt intake and mortality in patients with type 2 diabetes. Diabetes care, 2011. 34, 703-709.

10. ENGSTROM, AM et al. Nutritional consequences of reducing sodium intake. Ann. Intern. Med. 1983. 98 (part 2):870-872.

11. TOWSEND, MS. Low mineral intake is associated with high systolic blood pressure in the Third and Fourth National Health and Nutrition Examination Surveys: could we all be right? Am. J. Hyperten. 2005. Feb; 18 (2 Pt1):261.

12. RIO, A. et al. Metabolic effects of strict salt restriction in essential hypertensive patients. J. of Int. Med., 1993;233:409-414.

13. GRAUDAL, NG. Effects of sodium restriction on blood pressure, renin, aldosterone, catecholamines, cholesterol and triglyceride: a meta-analysis. JAMA, 1998. J. Am. Med. Assoc. 279, 1383-1391.

14. RUPPERT, M et al. Short term dietary sodium restriction increases serum lipids and insulin in Salt-sensitive and salt-resistant normotensive adults. Klin. Wochenschr. 1991:69: suplls. XXV: 51-57.
15. ALDERMAN, M. Low urinary sodium is associated with greater risk of myocardial infarction among treated hypertensive men. Hypertension. 1995. Jun;25(6):1144-52.

16. SKOTT, P. et al. Effects of insulin on kidney function and sodium excretion in healthy subjects. Diabetologia. 1989.32, 694-699.

17. GARG, R. et al. Low-salt diet increases insulin resistance in healthy subjects. Metabolism.2011. 60, 965-968.

18. LEVIN, M. Bromide psychosis: four varieties. Am. J. Psych.1948. 104:798-804.

19. RAUWS, AG. Pharmacokinetics of bromine ion-an overview. Chem. Toxic. 1983. Vol. 21. n.1, 379.

domingo, 29 de novembro de 2015

Da Emoção a lesão!


Da Emoção à Lesão

Um guia de Medicina Psicossomática; os efeitos orgânicos causados pelas emoções e vice-versa. 
| Psicossomática |


Do ponto de vista psicológico, existem emoções naturais, fisiológicas, que aparecem em todas as pessoas e consequentes a um importante substrato biológico. Elas podem ser a alegria, o medo, a ansiedade ou a raiva, entre outras. Essas emoções podem ser agradáveis ou desagradáveis, capazes de nos mobilizar para a atividade e de influir na comunicação interpessoal. Portanto, essas emoções atuam como poderosos motivadores da conduta humana.


Além dessas emoções serem capazes de mobilizar o Sistema Nervos Autônomo, juntamente com outros órgãos e sistemas diretamente, não obstante, elas podem ter um importante papel na qualidade de vida psicológica. Portanto, as emoções influem sobre a saúde e sobre a doença não apenas em decorrência da psico-neuro-fisiologia, mas também através de suas propriedades motivacionais, pela capacidade de modificar as condutas saudáveis, tais como os exercícios físicos, a dieta equilibrada, o descanso, etc., conduzindo muitas vezes para condutas não saudáveis, como o abuso do álcool, tabaco, sedentarismo, etc.

Ansiedade, Tristeza e Raiva; complicações na saúde.

O termo emoções negativas se refere às emoções que produzem uma experiência emocional desagradável, como por exemplo, a ansiedade, a raiva e a tristeza. As emoções positivas são aquelas que geram uma experiência agradável, tais como a alegria, a felicidade ou o amor.

Hoje em dia há dados suficientes para podermos afirmar que as emoções positivas potencializam a saúde, enquanto as emoções negativas tendem a comprometê-la. Por exemplo, em períodos de estresse, quando as pessoas desenvolvem muitas reações emocionais negativas, é mais provável que surjam certas doenças relacionadas com o sistema imunológico, como por exemplo, a gripe, herpes, diarréias, ou outras infecções ocasionadas por vírus oportunistas. Em contra partida, o bom humor, o riso, a felicidade, ajudam a manter e/ou recuperar a saúde.

Dentro das emoções negativas, uma das reações emocionais que mais se tem estudado é, sem dúvida, a ansiedade. Este é um estado emocional reconhecidamente associado a múltiplos transtornos. Uma segunda emoção negativa que está sendo muito estudada é a raiva, por sua estreita relação com os transtornos cardiovasculares. Finalmente, a tristeza e sua representação psicopatológica, a Depressão, até pelo fato desta se acompanhar, em geral, de altos níveis de ansiedade.

A ansiedade pode ser considerada como uma reação natural que se produz diante de certos tipos de situações nas quais a pessoa necessitaria de recursos adaptativos extras. As situações onde se desencadeiam a reação de ansiedade têm em comum, em geral, a previsão subjetiva de possíveis conseqüências negativas para o indivíduo. Esta reação supõe uma mobilização de diferentes recursos cognitivos, tais como a atenção, a percepção, a memória, o pensamento, a linguagem, etc., de diferentes recursos fisiológicos, como a ativação do sistema nervoso autônomo, da ativação motora, da atividade glandular, etc., e de diferentes recursos de conduta, como estar alerta, evitação do perigo, etc. Tais recursos teriam como objetivo o enfrentamento das possíveis conseqüências negativas.

Apesar da ansiedade ser uma emoção natural, de caráter essencialmente adaptativo, quando excessiva ela pode estar na base de muitos processos que podem levar à doença.
Dissimular Emoções Negativas.

Quando a pessoa experimenta altos níveis de ansiedade, durante tempo prolongado, seu bem estar psicológico se encontra seriamente prejudicado, seus sistemas fisiológicos podem se alterar por excesso de solicitação, seu sistema imunológico pode ser incapaz de defender seu organismo, seus processos cognitivos podem estar prejudicados provocando uma diminuição do rendimento e, finalmente, a evitação das situações que provocam essas reações ansiosas pode comprometer sua vida sócio-ocupacional.


Há pessoas que se regozijam de saberem controlar suas emoções. Mas, o fato de não se comportarem de acordo com esses sentimentos negativos não significa, automaticamente, que não estão experimentando as tais emoções negativas. Pode não bastar a essas pessoas o controle das manifestações das emoções negativas, pois, mesmo controlando as reações de ansiedade, pode haver níveis elevados da ativação fisiológica global, de alterações do sistema nervoso autônomo, de mudanças no sistema imune, etc.
Ao invés de se imunizarem contra as emoções negativas, que seria o ideal, as pessoas que se dizem controladas, podem não estar reconhecendo os estados emocionais negativos que estão experimentando. Podem estar dissimulando a raiva, a ansiedade, o medo ou a tristeza.

As tentativas de livrar-se (dissimular) dessas emoções negativas nem sempre têm êxito, pois algumas pessoas que aparentam uma certa tranqüilidade, podem estar desenvolvendo uma alta reatividade fisiológica. São pessoas obrigadas, pelo papel social que desempenham, a dissimular sentimentos diuturnamente, mas nem por isso significa que não estão experimentando intimamente tais emoções. Ou seja, o desgaste psicossomático proporcionado pelo esforço em dissimular emoções pode ser muito alto, vindo daí o conceito popular (e sensato) de que as emoções que não são manifestadas livremente acabam eclodindo em outro lugar do organismo.

Acredita-se, atualmente, que os transtornos psicossomáticos ou psicofisiológicos, como algumas dores de cabeça, das costas, algumas arritmias cardíacas, certos tipos de hipertensão arterial, algumas moléstias digestivas, entre tantas outras doenças, podem ser produzidas por uma excessiva ativação das respostas fisiológicas do órgão ou sistema que sofre a lesão ou disfunção (cardiovascular, respiratório, etc.). Seria uma espécie de disfunção do órgão ou do sistema orgânico por trabalhar em excesso por muito tempo.
A ansiedade apesar de ser considerada uma reação emocional normal e que surge como resposta do organismo diante de determinadas situações, quando tem sua freqüência, intensidade ou duração excessivas, passa a se tratar de uma ansiedade patológica. Psiquiatricamente a presença de forte estado ansioso, não somente pode ser a base dos denominados Transtornos de Ansiedade, mas também estar associada freqüentemente à depressão.

DA EMOÇÃO À LESÃO

O livro Da emoção à Lesão, diz respeito às doenças com verdadeiro componente orgânico, detectável por exames clínicos e não à somatização ou conversão, que são quadros onde existe a queixa mas não se encontra alterações orgânicas.


Clinicamente, uma ampla variedade de transtornos psicofisiológicos pode estar associada à ansiedade, entre eles os transtornos cardiovasculares, digestivos, cefaléias,  síndrome pré-menstrual,  asma, transtornos dermatológicos, transtornos sexuais, dependência química, transtornos alimentares, debilidade do sistema imune etc. As classificações tradicionais dos transtornos psicofisiológicos descrevem as seguintes doenças relacionadas com variáveis psicológicas.

DOENÇAS PSICOFISIOLÓGICAS (algumas)
Transtornos cardiovasculares
- doença arterial coronariana, hipertensão arterial, arritmias

Transtornos respiratórios
- asma brônquica, síndrome de hiperventilação, rinite alérgica

Transtornos endócrinos
- hiper ou hipotiroidismo, doença de Addison, Síndrome de Cushing, alterações das glândulas paratireóides, hipoglicemia, diabetes

Transtornos gastrintestinais
- transtornos esofágicos, dispepsia, úlcera péptica, síndrome do cólon irritável, colite ulcerosa, Doença de Crohn

Transtornos dermatológicos
- prurido, hiperhidrose, urticária, dermatite atópica, alopecia areata, psoríase, herpes, vitiligo

Dor crônica
- lombalgias, cefaléias, dor pré-menstrual, fibromialgia

Reumatologia
- artrite reumatóide

Transtornos imunológicos
- lúpus, depressão imunológica inespecífica.


Mas, com o crescente reconhecimento da implicação de fatores psicológicos ou emocionais no desencadeamento e/ou agravamento da maioria das enfermidades orgânicas, as tabelas como acima acabam perdendo totalmente o valor. Quanto mais avançam os meios de investigação da patologia, mais se evidencia relevância dos fatores psicológicos na etiologia e desenvolvimento de um grande número de doenças até então não consideradas como psicofisiológicas.

Esses transtornos englobam desde doenças neurológicas, como a Esclerose Múltipla, até enfermidades infecciosas, como a tuberculose, passando por enfermidades imunológicas, como a leucemia (Wittkower y Dudek, 1973).

Desta forma, em muito pouco tempo, ao se descreverem os transtornos psicofisiológicos, não mais se fará referência a um determinado grupo distinto de enfermidades (como a lista acima), mas sim às alterações físicas que são precipitadas, agravadas ou prolongadas por fatores psicológicos. A psicossomática preocupar-se-á com as diversas categorias de reações orgânicas, utilizando-as para compreender qualquer transtorno físico nos quais os fatores psicológicos sejam importantes. Por exemplo, no caso do Lúpus Eritematoso Sistêmico, a psicossomática estará preocupada em estudar as alterações das emoções sobre a imunidade, sobre os linfócitos T, ou sobre as imunoglobulinas. Se, daí em diante, aparecerá Lúpus ou Artrite Reumatóide não será mais tão importante.

DA EMOÇÃO À EMOÇÃO MESMO
As emoções negativas podem, por sua vez, determinar não apenas uma repercussão orgânica, como de vê em psicossomática, mas, sobretudo, repercussões psico-emocionais. Neste caso, o excesso de ansiedade poderia se traduzir por Transtornos de Ansiedade. Vejamos os casos onde a ansiedade patológica "se converte" em quadros psiquiátricos definidos pelas classificações internacionais (CID.10 e DSM.IV):

- Ataque de Pânico: caracteriza-se por crise súbita de sintomas de apreensão, medo intenso ou terror, acompanhados habitualmente de sensação de morte iminente. Aparecem também durante estes ataques, sintomas como palpitações, opressão ou mal estar torácico, sensação de sufocamento, medo de perder o controle, de ficar louco.
- Agorafobia: caracteriza-se pelo aparecimento de ansiedade ou comportamento de evitação de lugares ou situações de onde escapar pode ser difícil ou complicado, ou ainda de onde seja impossível conseguir ajuda no caso de se passar mal.
- Fobia específica: caracteriza-se pela presença de ansiedade clinicamente significativa, como resposta à exposição a determinadas situações e/ou objetos específicos temidos irracionalmente, dando lugar a comportamentos de evitação.
- Fobia social: caracteriza-se pela presença de ansiedade clinicamente significativa como resposta a situações sociais ou atuações em público, e também podem dar lugar a comportamentos de evitação.
- Transtorno obsessivo-compulsivo: caracteriza-se por obsessões que causam ansiedade e mal estar significativos, e/ou compulsões, cujo propósito é neutralizar a ansiedade. As obsessões são idéias involuntárias, recorrentes, persistentes, absurdas e geralmente desagradáveis que aparecem com grande freqüência sem que a pessoa possa evitá-las. As compulsões são comportamentos repetitivos e litúrgicos que se realizam em forma de rituais.
- Transtorno por estresse pós-traumático: caracteriza-se pela recorrência de experiências ou de acontecimentos altamente traumáticos, e comportamento de evitação dos estímulos relacionados com a situação vivida como traumática.
- Transtorno por estresse agudo: caracteriza-se por sintomas parecidos com o transtorno por estresse pós-traumático que aparecem imediatamente depois de um acontecimento altamente traumático.
- Transtorno de ansiedade generalizada: caracteriza-se pela presença de ansiedade e preocupações excessivas e persistentes durante pelo menos seis meses.
- Transtorno de ansiedade devido a enfermidade médica geral: caracteriza-se por sintomas proeminentes de ansiedade que se consideram secundários a efeitos fisiológicos diretos de uma enfermidade subjacente.
- Transtorno de ansiedade induzido por sustâncias: caracteriza-se por sintomas proeminentes de ansiedade secundários aos efeitos fisiológicos diretos de uma droga, fármaco ou tóxico.
- Transtorno de ansiedade não especificado: existe para encaixar aqueles transtornos que se caracterizam por ansiedade ou evitação fóbica proeminentes, que não reúnem os critérios diagnósticos dos transtornos de ansiedade já mencionados.
Fatores Predisponentes
A relação entre as respostas fisiológicas e os transtornos psicofisiológicos tem sido o ponto de partida de muitas teorias explicativas. Entre as diversas emoções com respostas fisiológicas importantes devemos destacar a ansiedade e a raiva.

Supõe-se, em geral, que para se desenvolver e manter um transtorno psicofisiológico, são necessários dois fatores:
O primeiro fator será de predisposição individual, pelo qual a pessoa tende a experimentar maior reação fisiológica diante da emoção. Significa que essa pessoa tem uma certa excitabilidade exagerada do sistema nervoso autônomo, bem como endócrino e imunológico. 
O segundo fator levará em conta a própria reação fisiológica ao estímulo emocional, sua duração e intensidade. Ela deve ser suficiente para manter níveis altos de ansiedade ou raiva. Portanto, um fator é predominantemente fisiológico e o outro de personalidade.

Há anos se estudam as características do perfil de resposta de pessoas com diferentes transtornos psicofisiológicos, tais como a hipertensão arterial, asma, a úlcera digestiva, as dores de cabeça, vários tipos de dermatites, etc. Os resultados indicam que as pessoas que apresentam tais transtornos costumam ter níveis mais altos de ansiedade do que outras pessoas da mesma idade e sexo.
A mesma emoção negativa pode, ainda, se apresentar com características internas ou externas, variando de acordo com a capacidade de controle e dissimulação da pessoa. Assim, segundo Cano (Cano-Vindel & Fernández Rodríguez, 1999), as pessoas com hipertensão essencial têm níveis maiores de raiva interna que os grupos controle, sem hipertensão. Os pacientes com asma, por exemplo, apresentam níveis maiores de raiva externa do que as pessoas sem asma. A raiva, neste caso, ajudaria a manter níveis altos de ativação fisiológica.
A maioria das pessoas com estilo repressivo de enfrentamento de suas emoções negativas não costuma ter consciência de sua alta ativação fisiológica e, inclusive, podem referir-se a si mesmos como pessoas relaxadas, calmas e tranqüilas. Na realidade não são bem assim.
Embora essas pessoas apresentem baixas pontuações nos testes para ansiedade, apresentam uma alta ativação fisiológica. Esta alta ativação fisiológica continuada será um fator de vulnerabilidade para o desenvolvimento de transtornos psicofisiológicos. Segundo Cano, em testes de laboratório, submetidos à tarefas estressantes, os indivíduos com maiores tendências para ocultação e dissimulação das emoções apresentaram maior reatividade cardiovascular com uma resposta de aumento da pressão arterial diastólica.
O estilo repressivo de enfrentamento das emoções negativas também é um fator que pode introduzir um certo grau de imunodepressão (Cano-Vindel, del Rosal, Sirgo, Pérez Manga e Miguel-Tobal, 1999). Uma alta ativação fisiológica mantida ao longo do tempo pode provocar alterações no Sistema Imunológico que tornam a pessoa mais vulnerável à enfermidades infecciosas ou à doenças auto-imunes. Assim, por exemplo, pacientes com câncer que apresentam estilo repressivo de enfrentamento das emoções têm uma menor expectativa de vida (Cano-Vindel, Sirgo y Díaz-Ovejero, 1999).
Deve ser destacado que as emoções são reações naturais, universais e têm uma finalidade adaptativa mas, não obstante, quando demasiadamente intensas e/ou freqüentes, essas mesmas reações podem provocar alterações patológicas na saúde.
Se essas emoções não podem ser relacionadas diretamente ao desenvolvimento de doenças, no mínimo elas provocam uma alteração no nível e qualidade de vida que favorecem o desenvolvimento patológico. A ansiedade, a tristeza e a raiva, quando em níveis demasiadamente intensos ou freqüentes, quando se mantêm por um tempo longo, tendem a determinar mudanças na conduta, ao ponto de determinar atitudes não sadias, como por exemplo, o consumo de fumo, álcool, sedentarismo, apatia, falta de exercícios, transtornos alimentares (hipo ou hiperfagia), etc.
Hoje, a medicina psicossomática tem se interessado, mediante técnicas cognitivas, comportamentais e, se necessário, farmacológicas, em ajudar pessoas a diminuir sua ativação fisiológica, a reduzir o mal estar psicológico e a facilitar uma expressão emocional mais sadia. Com isso pretende-se melhorar a qualidade de vida e a saúde das pessoas.
As pessoas reagem diferentemente ao estresse, inclusive em termos de eventuais doenças psicossomáticas. Ao estudarmos o Afeto, entendemos que parece haver uma espécie de filtro exemplificados como lentes de óculos hipotéticos) através do qual os fatos e eventos são percebidos pelo indivíduo. Isto faria distinguir situações percebidas como estressantes por alguns e não por outros (veja em Afetividade, na seção Psicopatologia).
Tal sensibilidade pessoal diante da vida exerce um efeito atenuante ou agravante aos eventos, efeito este que depende mais da própria personalidade que das circunstâncias. Isso definirá o modo de ser, de reagir, de enfrentar e de se adaptar ao estresse.
Assim sendo, podemos dizer que a elevação da pressão arterial diante do estresse, por exemplo, parece depender mais da avaliação pessoal (subjetiva) que o indivíduo faz de sua situação do que da própria situação em si, objetivamente considerada. Alguns observadores notaram que os hipertensos tendem ao pessimismo, antecipando conseqüências negativas dos fatos e a interação interpessoal e social é por eles vivida como fonte de ansiedade e estresse.
A Opção Somática das Emoções

É no Sistema Límbico que tem início nossa função avaliadora da situação, dos fatos e eventos de vida. Esse modo de avaliação sempre leva em consideração vários elementos, tais como, a personalidade prévia, a experiência vivida, as circunstâncias atuais e as normas culturais.

É devido a esse aspecto multifatorial que uma dada situação vivida pelo indivíduo sofrerá um processamento interno envolvendo sua avaliação quanto à natureza do evento e sua possível ameaça, bem como um processamento interno acerca da escolha ou decisão da melhor maneira de enfrentamento, resultando, finalmente, numa dada resposta. Tanto os fatores constitucionais de personalidade, quanto as experiências anteriores de vida representariam o núcleo desse sistema de avaliação.
Desde a década de 60, Selye já dizia que a "preferência" de um agente estressor por um determinado órgão ou sistema, bem como a intensidade dessa resposta, parece ser determinada por fatores condicionantes internos e externos ao indivíduo, ou seja, depende de características herdadas e adquiridas.
De acordo com esse aspecto extremamente pessoal da resposta do sujeito ao objeto estresse, podemos entender porque diante de situações semelhantes, os diversos indivíduos reagirão de forma diferente. Isso refletirá sempre o modo peculiar de cada um avaliar as situações, e o que é estressante para um, pode não ser para outro.
Da mesma forma, também o modo de enfrentar cada situação é peculiar e particular a esse determinado indivíduo, conforme sua história, circunstâncias, aptidões e personalidade. Essas aptidões personais (de personalidade) são quem nos oferece maiores ou menores "opções" de enfrentamento da situação.
E a palavra "opções" foi colocada entre aspas por tratar-se de uma atitude intencional e involuntária. Pode-se dizer, então, que a opção mais elaborada de enfrentamento seria aquela de encarar a situação conscientemente, objetivamente, podendo falar sobre ela, discutir, refletir, superando-a conforme as características e os recursos à nossa disposição.
Quando não é possível encarar a situação objetivamente, seja porque o problema não está sendo consciente, seja porque faltam recursos disponíveis à personalidade, a tendência será lançar mão de outras formas mais atípicas de enfrentamento.
A forma mental de enfrentar a situação seria, por exemplo, fantasiar, racionalizar, negar, rezar. A maneira emocional atípica de enfrentamento seria deprimir-se, agredir, culpar os outros ou culpar-se, chorar, gritar. Outras atitudes de enfrentamento atípico, seriam isolar-se, exibir-se, brincar, arriscar-se, comer, beber, transar, fumar, trabalhar, tudo excessivamente e, finalmente, de particular interesse à psicossomática, surge uma maneira somática de enfrentamento, representada pelo adoecer.
Eis algumas "opções" de enfrentamento adotadas pela maioria das pessoas*:
1. Olhar o problema objetivamente.
2. Buscar alternativas para enfrentar a situação.
3. Falar sobre o problema.
4. Ter esperança de que as coisas melhorem.
5. Procurar apoio com familiares e amigos. 
6. Agitar-se fisicamente.
7. Fumar, beber e usar drogas. 
8. Comer e dormir em excesso.
9. Adoecer fisicamente. 
10. Gritar e agredir.
11. Meditar e relaxar. 
12. Isolar-se e ficar só.
13. Esquecer o problema. 
14. Resignar-se.
15. Sonhar e fantasiar sobre o problema. 
16. Rezar.
17. Ficar nervoso.
18. Preparar-se para o pior. 
19. Deprimir-se.
20. Dedicar-se excessivamente ao trabalho.
*MELO FILHO J – Psicossomática Hoje – Artes Médicas, 1992
Para entendermos de forma mais clara, os processos da somatização devem ser considerados os tipos de resposta emocional resultante da avaliação que fazemos da realidade (e dos estressores) e nossos mecanismos pessoais e particulares de enfrentamento da situação. A escolha somática para eclosão das emoções parece depender de uma série de fatores ou mecanismos, desde os mais somáticos aos mais psíquicos.

Observando-se tanto os animais quanto as pessoas, notamos a presença de dois componentes no processo emocional de adaptação do sujeito às exigências da realidade. Existe o componente expressivo ou sinalizador e o componente comportamental ou de enfrentamento, propriamente dito.
As manifestações fisiológicas e/ou somáticas resultantes do estresse adaptativo, chamadas de somatizações, podem ser entendidas como uma forma não verbal de se expressar. E quanto menos eficientes são os mecanismos mentais ou cognitivos de sentir, falar e agir, mais o sistema somático será utilizado para expressar emoções. Isso significa que quanto mais "puras" forem as emoções, menos somáticas se tornarão.
A Síndrome Geral de Adaptação, descrita por Hans Selye e posteriormente identificada como o próprio estresse, é um conjunto de reações fisiológicas e eminentemente somáticas, de cunho sobretudo emocional, que surge quando o organismo é compelido adaptar-se à alguma situação alarmante. O processo que vai do estresse até o resultado somático final será sempre um processo fisiológico e biológico, atrelado às características da espécie mas, identificar ou considerar um estímulo como sendo estressante ou não, será sempre uma atribuição emocional e particular do sujeito (não mais e exclusivamente da espécie).
Na realidade, não será errado chamar o estresse de "extrema ansiedade", uma vez que é produto de uma avaliação emocional acerca do potencial estressante dos estímulos. Será de natureza ansiosa, na medida em que aparece cada vez que o organismo se percebe ameaçado em sua integridade. Podemos, então, afirmar que a ansiedade é um estado de tensão interna do indivíduo no sentido da adaptação, diante de algo que o ameaça.
A resposta ao estresse envolve um nítido componente somático e a localização dessa resposta neste ou naquele órgão, neste ou naquele sistema dependerá, primeiramente, da natureza e intensidade do agente estressante, em segundo, da participação da estrutura orgânica do indivíduo e, finalmente, da possível hipersensibilidade ou fragilidade constitucional que tornaria tal estrutura menos resistente.
Somatização desde criança
Em se tratando de seres humanos, e considerando sua possibilidade de pensar, desde cedo tal atividade racional exerce um papel fundamental na avaliação e enfrentamento das situações com que se depara o indivíduo. A influência da pessoa que cuida da criança (em geral a mãe) é decisiva nesse processo de identificação de estressores e escolha dos modos de enfrentamento.

Na verdade, geralmente é a mãe que nomeia e valoriza para a criança tudo o que ocorre à sua volta. Havendo discrepâncias nesse relacionamento, seja por abandono, maus tratos, omissão, etc., a criança ficará à mercê de si mesma, lançando mão então do seu próprio corpo ou de suas fantasias para resolver a maioria dos conflitos que experimenta.
Nos casos de abandono na infância, é como se a criança voltasse a reagir de maneira primitiva, somática, a qualquer situação ameaçante. Provavelmente o que ocorre, nesse momento, é que somente através de reações físicas a criança consegue despertar o interesse, a atenção e os cuidados que necessita. Assim sendo, a criança aprende a usar o corpo como um meio de comunicação ee de defesa. E sempre que o comportamento dos demais privilegia essa somatização, acaba reforçando-a. Além da opção somática, a criança tem ainda como recurso adaptativo suas próprias fantasias e aprenderá a usá-las eficientemente.
Autores mais psicodinâmicos incluem como recursos intermediários entre o corpo e a fantasia, certas atitudes tais como comer, beber, fumar, usar drogas, manter atividade sexual ou atividade física de uma forma aditiva, etc.
Somatização como complexo de culpa
A prática clínica tem mostrado que grande parte das manifestações somáticas pode ter como componentes básicos, uma forma primitiva de expressão e de defesa que é a culpa. O indivíduo, como vimos, aprende a falar e se defender com o corpo. Com o corpo ele obtém atenção e cuidados que necessita, com o corpo ele exprime desejos e fantasias, com o corpo ele enfrenta as situações estressantes e, muito provavelmente, com o corpo ele se recrimina e se culpa.

A utilização do corpo como meio de autopunição merece um destaque especial por sua característica psicodinâmica. Essa situação representa uma reação e defesa ao estresse interior proporcionado por algum conflito íntimo. É assim que o sujeito se impõe o sofrimento.
Muitas vezes ficam evidentes as condutas mórbidas e autodestruidoras de pacientes politraumatizados, portadores de diabetes melito, doença pulmonar obstrutiva crônica, hipertensão arterial, úlceras varicosas, como se eles agissem de forma a agravar suas doenças. Costumam ser descuidados, abusam da dieta, fumam, comem salgado e andam demais conseqüentemente.
Isso não quer dizer que todos os portadores dessas afecções exibem tal comportamento autodestrutivo, mas seus freqüentes "deslizes" em relação aos cuidados terapêuticos que deveriam tomar, apontam para uma forma inconsciente de perpetuar a doença, como forma de manter o autoflagelo.
A Desistência Depressiva
Outro tipo de situação capaz de gerar ou agravar doenças físicas é a desistência depressiva de viver. Trata-se de um estado de espírito típico dos deprimidos, onde o indivíduo "desiste" de viver, permitindo assim que a doença física o acometa. Situações de perda familiar, perda de situação econômica e social ou outras perdas que dêem ao indivíduo a sensação de não ter saída, parecem estar na base desse estado depressivo de auto-abandono.

Existem, principalmente, dois Mecanismos de Defesa capazes de gerar somatização. São eles a identificação e a conversão. Identificar-se é sentir-se como o outro. É tornar seu algo que é do outro. Na identificação, sentir-se doente pode ser uma forma de identificar-se com alguém que está ou esteve doente. Assim, por exemplo, o transtorno menstrual conhecido por dismenorréia pode ser conseqüência da identificação de uma adolescente com sua mãe, a qual apresentou ou apresenta esse quadro. As identificações também assumem importantíssimos papéis na dinâmica das patologias relacionadas aos estados histéricos e hipocondríacos.
Na conversão, por sua vez, o hipocondríaco é capaz de se sentir e acreditar-se doente e o histérico é capaz de expressar exuberantemente essa doença. Ele desmaia, paralisa, arma a cena e exibe seu sintoma. Parece ter uma ação mais expressiva que o hipocondríaco. Mas, mesmo assim, seus sintomas expressam seus conflitos reprimidos. É uma forma simbólica (e somática) de falar que utiliza o corpo como meio de comunicação.
ESTRESSE, SISTEMA IMUNOLÓGICO e INFECÇÃO
Um tema que diz respeito diretamente à psiconeuroimunologia é o relacionamento entre os fatores psicológicos e o estresse com as doenças infecciosas. Uma das mais importantes funções do equilíbrio do organismo (homeostasia) é protegê-lo das agressões infecciosas, ou seja, impedir a multiplicação de agentes infecciosos e a formação de colônias em seu interior, bem como proporcionar resistência às infecções (veja Psiconeuroimunologia 1 e 2, na seção Psicossomática).

Como mecanismos inespecíficos desse sistema de defesa existem a integridade das barreiras naturais, compostas pela pele, pelos cílios e pelos, pela presença de ácidos nas superfícies, substâncias inibidoras da proliferação dos germes nos humores e outros. Os mecanismos específicos de nossas defesas estão representados por um combate muito mais eficaz conduzida pelo sistema imunológico.
Os anticorpos do Sistema Imunológico, por exemplo, facilitam extremamente a atração, a aderência e a fagocitose dos germes invasores pelas células brancas e macrófagos, participando também da neutralização de partículas virais circulantes. Graças à participação celular da resposta imunológica, as células infectadas por vírus ou por outros parasitas intracelulares podem ser destruídas e isso se dá às custas das células chamadas Linfócitos T.
O estresse desempenha importante papel no Sistema Imunológico, inibindo ou estimulando seus componentes, ou seja, aumentando a morbidade e mortalidade, por excesso ou por falta desses mecanismos. Plaut e Friedman (1981) reportam uma tremenda variabilidade da morbidade e mortalidade por invasão de germes em animais de laboratório, dependendo da natureza do organismo patogênico, da qualidade e quantidade do estresse e de fatores genéticos e ambientais.
Depois de enfatizar a natureza multifatorial das doenças infecciosas, Amkraut e Solomon (1975) escrevem: "Pequenas mudanças no processo imunológico podem causar alterações iniciais para permitir o estabelecimento de infecções, alterar o curso da doença depois da infecção instalada, ou mesmo, permitir a invasão de organismos não patogênicos, como acontece no caso da gengivite aguda necrozante, a qual é fortemente associada com o estresse emocional".
Esses autores também ilustram sua posição dando como exemplo o caso da infecção pneumocócica, lembrando que este germe costuma estar naturalmente presentes no trato respiratório de pessoas normais e nem atravessam a mucosa ou entram nos pulmões em número significativo. Em condições normais a natureza da mucosa, as secreções desta e a flora normal impedem a proliferação e penetração dessas bactérias. Entretanto, essas condições normais da mucosa e a flora normal que aí se encontra podem ser modificadas pelo estresse, permitindo a multiplicação e passagem de microrganismos.
Quando essas bactérias invadem a mucosa em pequeno número, podem ser eficazmente atacados por células da defesa, os macrófagos. Mas, não obstante, a vigilância dos macrófagos pode ser afetada por hormônios ou pelo estresse, possibilitando o início da doença. Macrófagos alterados pelo estresse podem ser menos eficientemente.
Também devemos levar em conta que as proteínas capsulares dos pneumococos estimulam os linfócitos B diretamente e, por causa do estresse, uma leve diminuição da atividade destes, pode levar a uma produção inadequada de anticorpos. Também, lembram os autores, que esta inibição da capacidade de remover as bactérias encharcadas de anticorpos dos macrófagos pode diminuir significativamente as defesas imunológicas.
Contribuindo ainda para a deficiência da vigilância imunológica, a redução dos níveis de complemento do paciente (proteínas que se ligarão aos agressores) ou de um particular componente do sistema de complemento, pode aumentar a severidade da doença infecciosa.
Tem sido muito observado por aqueles que lidam com a tuberculose, as relações entre melhoras e pioras dos pacientes e seus problemas emocionais. Já em 1919, Ishigami, citado por Schindler, escreveu sobre isso quando, estudando a fisiopatologia da tuberculose, observou a diminuição da atividade fagocitária das células imunológicas durante episódios de excitação emocional, atribuindo-os ao estresse da vida.
Wittkower, já na década de 1950, escrevia que "algumas vezes pode ser mais adequado firmar o prognóstico do paciente na base de sua personalidade e conflitos emocionais que na base das imagens de suas radiografias". Por causa dessas observações é que se firmou o ditado, segundo o qual, na doença, "a agressão depende mais do agente agredido que do agente agressor".
A própria psicoterapia de grupo nasceu, na década de 30, para o atendimento de pacientes tuberculosos em pequenos grupos, para possibilitar um processo educativo em relação a suas enfermidades, bem como a perspectiva de melhor lidarem com elas, favorecendo a alta e a reabilitação.
Também servem de exemplo da influência das emoções no curso e evolução das doenças, os famosos trabalhos de Renée Spitz, sobre crianças internadas em instituições. Várias situações mórbidas descritas pelo autor, como por exemplo a Depressão Anaclítica, marasmo e hospitalismo, ele constatava também um expressivo aumento da mortalidade por maior suscetibilidade a infecções. Em suas preciosas observações, Spitz descreveu como a simples presença da mãe, junto à criança internada, fazia reverter o curso, evolução e prognóstico das doenças.
Jacobs, em 1969, propôs-se a estudar os problemas psicossomáticos da pneumologia, e constatou que as pessoas em situações de mudança de vida, que estavam usando mal seus mecanismos psicológicos de adaptação adoeciam, sobretudo, de infecções das vias aéreas superiores. De fato, tanto os médicos quanto os leigos, sabem que as situações de resfriado, gripe ou bronquite ocorrem em pessoas fatigadas emocionalmente ou mesmo deprimidas.
Para sistematizar academicamente as antigas suspeitas da influência das emoções sobre a recuperação de doenças infecciosas, Greenfield e cols, em 1959, realizaram um interessante trabalho experimental. Aplicaram um inventário de avaliação psicológica, o Minnesota Multiphasic Personality Inventory (MMPI), em 38 pessoas que estavam em recuperação de um processo de mononucleose infecciosa.
Eles dividiram os pacientes em dois grupos: os de longa recuperação e os de curta recuperação. O grupo que se recuperou mais rapidamente apresentava significativos escores de maior força de ego do que o grupo que se recuperou mais lentamente. Na discussão desse trabalho, escrevem, "... parece-nos que há uma substancial evidência empírica para a assertiva de que a saúde psicológica e a somática são separáveis apenas arbitrariamente.”. Bioquimicamente é importante também o trabalho de Gruchow (1979), que conseguiu detectar elevações de catecolaminas três dias antes de episódios infecciosos.
Oliveira, na área da Hanseníase em 1988, por várias vezes constatou uma recorrência dos sintomas e das lesões cutâneas durante ou após episódios traumáticos ou conflitivos intrafamiliares. Após três anos de psicoterapia grupal,  mantida a medicação que já faziam uso anteriormente, praticamente todas as pacientes se mostraram beneficiadas por este processo, fosse através de uma melhoria de suas enfermidades, fosse por uma atitude menos hipocondríaca, culpada ou submissa. E as exacerbações das lesões cutâneas que se seguiam aos estresses praticamente desapareceram.
O Herpes Simples é uma das viroses que mais tem estimulado estudos psicossomáticos. Amkraut e Solomon (1975) recordam que os anticorpos contra o vírus do Herpes coexistem tanto com a infecção aberta quanto com a inaparente (veja melhor o Herpes em Psiconeuroimunologia, Emoção e Imunidade 1, na seção Psicossomática). A doença se dissemina por transferência do vírus, célula a célula. Trata-se de uma falência da vigilância imunológica dos linfócitos T, os quais deveriam estar diuturnamente monitorando as células infectadas. Esses linfócitos podem destruir os vírus diretamente, por ação citotóxica, ou através da ativação de macrófagos da vizinhança.
Pois bem. O estresse perturba o equilíbrio presença de vírus-defesa do organismo, possibilitando a proliferação do vírus, o que também se dá por febre ou radiação ultravioleta. Um dos alvos sabidos do estresse são as células NK, ou células matadoras (natural killers) de vírus e de outras células neoplásicas.
Na prática médica, qualquer clínico experiente constata, facilmente, a interação entre situações de estresse e crises herpéticas. Até mesmo os próprios pacientes, com o tempo, aprendem a diagnosticar as situações de estresse que serão capazes de desencadear a recaída da doença. Não é raro encontrarmos crises de herpes genital relacionadas com a situação conjugal.
Atualmente a AIDS tem sido outro terreno muito fértil para a pesquisa psicossomática. Além de tratar-se de uma doença infecciosa, de uma virose, ela provoca várias situações somatopsíquicas. Desde o estresse representado por seu diagnóstico até as angústias sócio-culturais atreladas à doença.
Atualmente muito se tem pesquisado sobre as implicações do abuso de drogas, do excesso de parceiros e do coito anal na incidência da AIDS. Outro grupo procura estabelecer relações sobre o estresse cultural do homossexual, o qual vive numa sociedade homofóbica, e das comorbidades emocionais dos usuários de drogas, embora não se negue, de forma alguma, a capacidade imunossupressora dos opiáceos exógenos intravenosos. Se um sistema imunológico já está comprometido por opiáceos ou por infecção virótica, é compreensível que o estresse possa ser mais imunossupressor agravante.
DOENÇAS AUTO-IMUNES
Doenças Autoimunes ou de auto-agressão são aquelas em que se desenvolvem certas reações imunológicos contra constituintes naturais do organismo (self), levando a lesões localizadas ou sistêmicas. Fazem parte deste grupo de doenças a artrite reumatóide, lúpus eritematoso sistêmico, esclerose sistêmica progressiva, polimiosite-dermatomiosite, tireoidite autoimune, miastenia grave, colite ulcerativa e outras, como por exemplo, a esclerose sistêmica progressiva, polimiosite-dermatomiosite, tireoidite autoimune, a miastenia grave.

Essas doenças ocorrem devido à formação de anticorpos contra constituintes do próprio organismo passando. Nesse caso, tais constituintes passam a significar, erroneamente, agressores (antígenos) ao Sistema Imunológico. E quando o anticorpo adere ao antígeno há ativação de proteínas plasmáticas que estimulam uma cadeia de reações, a qual culmina na destruição celular e necrose do tecido, com muitas conseqüências sobre a função do órgão e sobre o próprio organismo.
Muitas indagações têm sido feitas no sentido de se determinar por que, de repente, um constituinte orgânico próprio do organismo passa a ser reconhecido como “corpo estranho”. Supõe-se este tipo de reação anômala seja facilitada por uma atividade diminuída de células imuno-supressoras. Assim sendo, a falência da atividade imuno-supressora explicaria o surgimento de certas doenças autoimunes e, como já vimos ao tratar das infecções e emoções, o estresse pode perfeitamente ser capaz de modificar as atividades das Células T, incluindo a atividade supressora.
Sabe-se também que os fenômenos autoimunes tendem a aumentar com o envelhecimento, e este fato tem, inclusive, sido aventado como de importância na etiologia do câncer. Outro aspecto já muito estudado diz respeito ao condicionamento genético destas doenças. Quando estudamos as causas das chamadas doenças autoimunes, veremos que se tratam de doenças tipicamente multifatoriais, de múltiplos fatores envolvidos em sua etiologia, e aqui se inserem o estresse e os fatores psicossociais no desenvolvimento, evolução, agravamento.
Pessoas resistentes à idéia da relação das emoções com essas doenças autoimunes poderiam citar que algumas pesquisas atuais consideram, dentro desta multifatoriedade, algumas ações virais. Neste sentido, lembram, já se sabe que o antígeno da panarterite nodosa, doença do grupo das colagenoses, é o vírus da hepatite B e, quanto à artrite reumatóide, já se sabe que vírus do tipo Baar-Epstein, o mesmo da mononucleose infecciosa, ao parasitarem os linfócitos tipo B, produziriam o fator reumatóide, uma gamaglobulina presente no sangue destes pacientes. Também foi evidenciado a importância dos vírus HIV e outros tipos do tipo Picorna na poliomiosite, doença na qual os vírus Coxakie parecem desempenhar um papel patogênico em casos de crianças.
Mas esses argumentos não excluem, em absoluto, o envolvimento emocional, pois, como vimos acima, as emoções estariam fortemente presentes na vulnerabilidade imunológica e na suscetibilidade a infecções.


Ballone GJ - Da Emoção à Lesão - in. PsiqWeb, Internet, disponível em www.psiqweb.med.br, revisto em 2007
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